Meninos precisam tomar vacina contra HPV


Segundo OMS, cerca de 80% das pessoas entrarão em contato com o papilomavírus humano

A vacina contra o papilomavírus humano (HPV) está disponível, atualmente, para meninas de 9 a 11 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e previne, entre outras coisas, o câncer de colo de útero. Porém, também é importante imunizar os meninos, que são mais infectados pelo vírus ao longo da vida.

Eles podem contrair doenças como verrugas genitais, câncer de faringe, anal e de pênis. “A segunda relação mais íntima de câncer é o vírus HPV”, aponta a Dra. Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 80% das pessoas irão entrar em contato com o HPV durante a vida, podendo ou não se manifestar. Diferentemente de outras doenças sexualmente transmissíveis, basta contato com a pele ou mucosa para acontecer a transmissão.

O ator Michael Douglas, em 2010, foi diagnosticado com um câncer de garganta e, segundo ele, a doença foi provocada pelo vírus HPV, transmitido por sexo oral.

Portanto, usar preservativos é de extrema importância, mas não é um método 100% eficaz de prevenção do HPV, ao contrário da vacina. Segundo a Dra. Rosana, o principal objetivo da vacinação nos meninos é para proteção própria. Além disso, quanto menos infecção eles tiverem por HPV menos eles vão transmitir para suas parceiras sexuais.


As doses da vacina já foram aplicadas 67 milhões de vezes no mundo inteiro. Os jovens podem ser vacinados dos 9 aos 26 anos, mesmo que já sejam sexualmente ativos. Além disso, quem já foi infectado pelo HPV também deve ser vacinado para se prevenir dos demais tipos. Para os meninos, a vacina eficaz é a quadrivalente, que confere proteção contra quatro tipos, 6, 11, 16 e 18.

Atualmente, o Programa Nacional de Imunização só contempla a vacina do HPV para o sexo feminino, podendo, no entanto, ser encontrada na rede particular. Porém, para a Dra. Rosana Richtmann “é uma questão de tempo” para estar disponível pelo SUS. “Enquanto não fizermos a lição de casa de prevenir ambos os sexos, não vamos conseguir atingir o impacto que queremos de prevenção de câncer”, conclui a infectologista.